MADRI, 14 Oct. (Notimérica/EP) -
Quando em 1961 se celebrou no Jerusalém o julgamento contra o criminal nazista Adolf Eichmann, a revista The New Yorker escolheu Hannah Arendt, uma filósofa judeia de origem alemã exilada nos Estados Unidos, como enviada especial.
Arendt, que publicado o seu livro 'As origens do totalitarismo ', parecia uma das pessoas mais adequadas para escrever uma reportagem sobre o julgamento de Eichmann, o nazista que organizou o genocídio do povo judeu durante a II Guerra Mundial, conhecida como 'a solução final'.
Dos seus artigos sobre o processo surgiria o seu livro mais conhecido e mais discutido; 'Eichmann em Jerusalém', subtitulado 'Um relatório sobre a banalidade da doença', que se publicou em 1963 nos Estados Unidos.
Coincidindo com o 108º aniversário do nascimento de Arendt, Google dedica seu 'doodle' à autora, que não queria ser classificada como filósofa e que se interrogava sobre conceitos como democracia, poder, ou violência. Ela sustentava que muitos criminais são gente normal.
Arendt aparece no site do Google em vários países de todo o mundo, entre os quais encontram-se a Argentina e Brasil.
No livro sobre o julgamento contra o tenente coronel das SS, considerado como um dos maiores criminais da história, Hannah Arendt analisa as causas que propiciaram o holocausto, e o papel equívoco que desempenharam no genocídio os conselhos judeus, o que provocou uma grande controvérsia.
Também se adentra na personalidade do acusado, analisando o seu contexto social e político, e dá a entender que Eichmann não era um psicopata senão um diligente funcionário empenhado em cumprir as ordens que recebia.
A sua vida deu origem ao filme 'Hannah Arendt', estreada em 2012, e que foi dirigida pela diretora, atriz e roteirista de cinema alemão e membro do movimento de Novo Cinema Alemão, Margarethe von Trotta.
O filme começa com o sequestro de Eichmann pelos serviços segredos israelitas na Argentina, onde vivia incógnito, e aborda a relação da filósofa com Martin Heidegger, o seu professor e amante, antes de que este mostrasse o seu apoio ao nazismo e ela tivesse que fugir à França para instalar-se definitivamente em Nova Iorque.
O seu primeiro marido, Günther Anders, definiu a Hannah como uma mulher "profunda, insolente, alegre, mandona, melancólica". A escritora esteve reclusa em um campo de internamento de Gurs, no sul da França, em 1940.
Graças a desobedecer a ordem que obrigava aos judeus a registrarem-se em uma prefeitura, pôde salvar a sua vida, fugindo junto a outras pessoas. Em 1941 chegou acompanhada do seu segundo marido e da sua mãe à Nova Iorque, onde começou a trabalhar como jornalista.